17.11.06
1.11.06
VERNISSAGE
Hakim Bey
O
A
O
O
À
Ambas estas
1.
2.
3.
4. O
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11.9.06
17.7.06
Filosofia da Cultura
As Fúrias, as Hidras, as Zibelinas
Evolução da cultura e a representação do indivíduo
por Rodrigo Balan Uriartt
A história universal talvez seja a história da diferente
Representação da individuação nos textos, nas culturas?
Percorrendo da vida mítica arcaica, da sociedade dos coletores / caçadores / guerreiros, ao mundo mais sutil da interpretação mitológica, percebesse um imenso salto conceptual.
Como o homem desprendeu-se de uma vida imersa e indiferenciada com os conteúdos míticos e psicológicos para separar-se e analisar essas forças fora de si?
Na epopéia de Gilgamesh a ação se desenrola como que movida por forças naturais e caprichos teocráticos: poderes que nosso herói subjuga momentaneamente ou a eles é subjugado. Ele parece não possuir consciência dos seus valores individuais intrínsecos e de seu papel como agente na cultura a que pertence.
Evolução da cultura versus representação do indivíduo. Essa não é uma relação de real oposição, e sim uma problemática que se auto-alimenta desses mesmos pares: cultura e individuação.
Podemos realmente afirmar que o herói mítico, como Gilgamesh, não tem consciência de si como indivíduo? Possuímos o instrumental semiológico e a intuição sem travas para penetrarmos completamente na visão interior do homem arcaico? Pensamos e vivemos através e com nossos pré-conceitos culturais e familiares; então não temos como pré-julgar e proferir sentenças qualitativas cabais sobre certa época ou civilização.
O que podemos é tentar encontrar a ressonância poética que atravessa os textos da história, como um leitor que penetra o mondo incognito, com os olhos penetrantes e os ouvidos bem abertos [é que as coisas que ele vê e ouve podem transformá-lo totalmente e embeber sua alma, assim como a água ao açúcar1], como o observador que observa a si mesmo e reflete em seu pensamento, que vai transcrevendo giros de nuvens pelo céu da dúvida cartesiana, como os gatos que percebem os vultos fantasmagóricos num semicerrar de suas longas pestanas, como o galo de canto solitário que irritantemente antecipa os primeiros raios da manhã, como a culpa defenestrada pela fúria consumidora de cem mil volts, deixando sem luz as tristes cidades da usura, como Pound fazendo as escolhas erradas com os textos certos, preso na gorilla cage do patriotismo wasp ianque.
No que difere estruturalmente um sumério da antigüidade, um heleno arcádico de um clássico, um gentil-homem do renascimento de um escritor do modernismo?
Sim, é claro como a mecânica dos fluídos que a kultur refinou-se [em finos cristais e pedúnculos de açúcar] e com ela o projeto-homem nesse processo histórico. Também é claro como lampejos de urânio que o vocabulário de sentimentos humanos se ampliou e se estratificou grandemente. Que hoje temos ao nosso dispor ferramentas poderosas para descrever mais objetivamente as profundezas insondáveis da alma humana. Vieil océan.2 Mas nossa dúvida, não sabemos, talvez resida dessa mesma objetividade. Será que o homem antigo, aparentemente indissociado do mundo mítico, não estaria de certa forma mais apto, nos casos em que isso se fazia necessário, a se fazer valer de potências e aptidões que hoje, homens modernizados pela facilidade de tudo, não somos mais capazes de conclamar?
Parece que se somos fortes na intelectualização e subjetivação dos conceitos psicológicos e culturais, somos cada vez mais falhos na busca objetiva de um sentido transcendente e integrador em nossas vidas individuais e coletivas.
Com isso não queremos nos apor na busca de um Deus demiúrgico que restaure nossa queda, pela ingestão mal digerida dum fruto proibido do bem e do mal, gnose sem deserto, nem pela vinda de uma pretensa Nova Era (new age) de conscientização global que transformará finalmente os lobos em carneirinhos. Somos cães (kynikós) o suficiente para rosnar às mitologias auto-obsedantes (ver Barthes), aos melaços conceituais e as armadilhas de condomínios fechados das idéias acadêmicas de menininhas com celulares masturbatórios.
O homem tem sua realidade pé-no-chão, da luta no cotidiano, com as mesmas pulsões de sobrevivência que as bestas feras e os cordeiros; e tem também sua realidade mágica, que responde aos toques dos sentidos supra-racionais no mundo intangível, devorador de mistérios. O homem é um bicho de pernas eretas e mãos livres, consciente de si navegando no desconhecido!
Pequeno esquema sem nenhum desenvolvimento formal:
· O homem da antigüidade lutou para dissociar-se dos poderes indiferenciados da Natureza criadora e destruidora (Shiva e Kali).
· O homem clássico das sementes doce-amargas lançadas pelos deuses.
· O da Renascença da culpa e purgatório de uma religião que não religava mais nada.
· O Moderno acreditou na razão como um processo coletivo propulsor.
· O pós-moderno, desiludido no vazio ruidoso criado pelo seu maquinário inútil, perdeu-se num mundo de revivals e pseudonomadismo.
Nosso mito novo será um semideus em si, livre das pegadas familiares, sociais, culturais, autoimagéticas, recompensas mediúnicas, Estados totalizadores ou globalizantes, transcendentalismos e outras drogas midiáticas?
Um cyberxamã navegando pelos mares informacionais ou a genialidade neurótica de um Glenn Gould interpretando incessantemente as Variações Goldberg de Bach? Um mundo big-brother com câmeras-olho por todo lado e homens chipados com o número da Besta, ou uma cultura de massa que não devore seu próprio umbigo e destrua a livre associação entre os homens?
Bombas semânticas, scuds poéticos e aedos pelas praças… e viva Walden!
Porto Alegre, inverno de 2006
Bibliografia (sem ABNT):
Borges: Nova Antologia Pessoal
Hakim Bey: Zona Autônoma Temporária e demais escrachos
Lautréamont: de tudo um pouco
Guy Debord: A Sociedade do Espetáculo
Nietzche: Assim Falou Zaratustra
Walter Benjamin: Sobre o Conceito da História
Rodrigo Uriartt: Digno Ócio e outros poemas
Ezra Pound: Personae e outros cantares
O nagual Carlos Castañeda
Roland Barthes: Mitologias
Sites conspiratórios e Iluminatti
Pré-beats, beats e pós-beats
Notas:
1 Lautréamont. Os Cantos de Maldoror. Trad. Claudio Willer. Iluminuras, São Paulo, 2005. Canto Primeiro, estrofe 1.
2 op. cit. Canto Primeiro, estrofe 9. “Velho oceano, tu és o símbolo da identidade: sempre igual a ti mesmo. Tu não varias de uma maneira essencial, e se tuas ondas estão em fúria em algum lugar, mais longe, em outra zona, estão na mais completa calma. Não és como o homem, que pára nas ruas para ver dois buldogues avançando um sobre o pescoço do outro, mas que não pára ao passar um enterro: que está acessível pela manhã e de mau humor à noite; que ri hoje e chora amanhã. Eu te saúdo, velho oceano!”
5.12.05
11.4.05
18.8.03
esteios do mundo vício
meu medo em pedra-pomes
surra de tempos alheios
: ali ferver fundo fel
quis dizer boca a boca
: és espelho sem brilho
polido de luz e rudeza!
grande dor no oco peito
chaga fria que abençoa
ser vago é melhor que
partir o amor a esmo
: vês apenas o reflexo
receio de dar no muro:
grata ao seio que mama
: dizes o que já sei :
o medo é porto-seguro
vou perto de ti
e me perco
virtude da máscara
é saber-se dentro do mundo-palco
vc acredita em seu personagem?
vista a personae e seja seu
linguagem não é letra
ilusãolinguagem
linguagemiragem
pedra pound pessoa rosa
conhecer é trepar contigo=
resignificações medievais :
sois apenas homens... deusa é quem cria!
redondo meu pensamento
dentro de uma música
mata o amor
atrás estão as pessoas
com mentes quadrados
corações espelho quebrado
matando o amor
amor arredonda
como doida dádiva soma
dá tanto quanto tira
seu ardor sua dor
fugir dessa fúria
não redime nossa culpa
vamos entrar na música
matar o matamor
5.7.03
mesmo que o medo transpareça em teu receio
e que esta maravilha fique incógnita como
metade das histórias que ouvimos conquistar,
ela recebe os fluídos, ela merece as pêras,
ela vinga os inconclusos! quem diria, no meio
do ocidente, entre pigarras e sencientes merdas,
endormecidos, como tangos cubanos (existe isso),
quando tudo parecia derruir...
eu, outro merda inconcluso, bêbado, vendo o medo
e o amor sem jeito do murmúrio,
espetando o último que veja meu olho, pecava no
tempo em que todos medravam! aqui eles me vejam!
que o vinho seja abundante! que a merda não cheire
muito! nessa serena alvorada Cartola benção finimundi:
mesmo que o medo transpareça em teu receio ela veja
e perceba que a verdade não é minha roupa, que vero
desapercebido reencontro:
13:14 7/6/2003
ela pertence ao véu verde da chuva
volta seu rosto frio e os curtos cabelos
na chuva insistente do meu olhar:
estar quase apaixonado é fingir meio-morto?
os passos de clown passam lateralmente pela calçada
da rua matriz: ela não pensa no pobre selenita:
entre o ar e a terra dócil
passa impassável coração rasgado
cansei desse lirismo peidorrento
quero agora descobrir teu lado cru
anti-a-musa-que-fica-debaixo-do-guarda-chuva
um n?mero de telefone já seria bom
...............................................................................
vou perto de ti
e me perco
a virtude da máscara
é saber-se dentro do mundo-palco
vc acredita no seu personagem?
vista a personae e seja seu
linguagem não é letra
ilusãolinguagem
linguagemiragem
pedra pound pessoa rosa
conhecer é trepar contigo=
ressignificações medievais:
sois apenas homens... deus é quem cria!
30.5.03
terá que fechar
a terra em feixes
de mileumanoites
não terá tempo
(a terra terrará os peixes)
de fechar as carafeias
dos oce-anos
parafuso contuso
aparecerá no encerramento
dos fusos
paracelsos nas cadeiras cativas
adiantarão os vão-vem do pêndulo
e os bebês berbes ming
trarão os obuses
(serrarão as cruzes)
paralelamente ao bacanal em fascículos
as moiras cuspirão milhares
de calcanhares aquilinos
e os sinos serão os silos
e os silos serão os sinos
silogismos sismos d’era
(no cabo das tormentas)
os olhos abertos foram cinco dedos estes
riscos e os olhos não eram veros
para no véu do azul
saquei que o mundo é triste este a imagem não
olhar para o vero
é loucura
ela inventou isso ela é arranha-céu
as paredes choram com rócio da vida
mesmo electricamente
baleia branca e cheia de esporas ela mata os dias
alimentar o súcubo de cérebro cerrado
não é miséria humana isto?
bah bah bah! palavras de baleias estas e
batem em direção à correnteza dos padres batinados
em meio ao medo em meio ao medo
bah bah bah! leve essa pureza ao inferno!
o medo rochedo não pode ser o vero:
véu de azul desvela e venta o barco
mesmo que o medo transpareça em teu receio
e que esta maravilha fique incógnita como
metade das histórias que ouvimos conquistar,
ela recebe os fluídos, ela merece as pêras,
ela vinga os inconclusos! quem diria, no meio
do ocidente, entre pigarras e sencientes merdas,
adormecidos, como tangos cubanos (existe isso),
quando tudo parecia derruir...
eu, outro merda inconcluso, bêbado, vendo o medo
e o amor sem jeito do murmúrio,
espetando o último que veja meus olhos, pecava no
tempo em que todos medravam! aqui eles me vejam!
que o vinho seja abundante! que a merda não cheire
muito! nessa serena alvorada Cartola benção finimundi:
mesmo que o medo transpareça em teu receio ela veja
e perceba que a verdade não é minha roupa, que vero
desapercebido reencontro:
9.7.02
e tem tb um poeminha que escrevi ontem
não sei bem se é bom ou péssimo
bem, ainda acho que poderíamos um dia parar nosso sofismo
e despejar sonho no papel blablabla
então até o próximo frio
ur
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UR.02
natiture
jogas o terno ao telefone
mordes verbo entronizado
sexo mas não tenho
litanias ombros conquistados
jibóias contando o espinhaço das algas
vento de gesto em cadeia
não começa aqui o receio
mas o braço dói sobre papel
todo nervo retraído estremece
lido o manifesto ele só quer aquilo
passei um trago tentando entender a voz
livre das cadeias do telefone
recitando o trago calado
a uma da manhã
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16.6.02
Ela
quem era o rapaz que perdeu quem
sua vida num dia de tempestade
Ela atirou as flores roubadas
pedra tumular abrindo ao meio
quem dera que fosse guerra mas
nua Ela escondeu sua vagina púbere
atrás de sua cama há um cartaz
perdeu a cruz no meio das retas
queima a pira do amor primeiro
lua atrás, sol radiante, úberes
saltando travesseiros, prados calmos
perdizes revoentas revolvendo as moitas
querem a tua morte essas moiras
rua sem saída, noite sem lúmens
salgado sangue servido em cálices
quem canta essa canção não é Ela
é o olho que tudo olha pirâmideu
querem o que quer o que se perdeu









